Já não estudamos português

Estudamos português nasceu como o blogue aberto para todos os alunos de português da EOI de Vigo… mas a participação apenas alcançou aos alunos de último ano… e o ano finalizou.  Já não estudamos português.

Portanto, a partir deste momento, o blogue Estudamos português vai continuar a estar acessível com toda a informação mas sem conteúdos novos.

Neste percurso de dez meses que começou o 19 de novembro de 2012, o blogue publicou 24 páginas e 73 artigos; quase um cento de textos que da língua portuguesa não explicam nada, mas de como aprende-la explicam tudo.

São quase dez mil as visita recebidas, a mil por mês.  4 286 foram feitas desde Espanha, 4 277 desde Brasil e 644 desde Portugal; e o resto desde 48 países mais.

O mais visto foi a página de início, com 3 060 vistas; mas o segundo mais visto foi o artigo de Prof. Fábio Alves, gramática em vídeo com 2 875, a muita distância do resto.

Por três vezes Estudamos português apareceu na primeira página do portal de notícias Chuza!:

E isto foi tudo.

Acréscimo.  Finalmente, o blogue de Estudamos português em livro digital!  Todos os conteúdos do blogue em um ficheiro PDF de quase duzentas páginas!  Já é que pode ler Estudamos português sem precisar de ligação à rede!

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Alunos de português da Escola oficial de Idiomas de Vigo, a almoçar em Valença do Minho para festejar o fim dos estudos.

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Dica do romance O delfim

o_delfimO delfim, de José Cardoso Pires (1968).  Editorial LeYa, 2010. 24ª edição. Publicações D. Quixote/1ª edição BIS.  Capa de Rui Belo/!designers.

José Cardoso Pires escreve uma história que se desenvolve durante uma tarde e uma noite na vila de Gafeira nos últimos anos do Estado Novo. A história é narrada em primeira pessoa por um escritor que chega à vila para a caçada anual e descobre que no ano que decorreu desde a sua visita anterior a vila fora sacudida por uma dupla tragédia na casa dos Palma Bravo, casal com a que o autor tinha amizade. A notícia da morte da dona e do criado impressiona ao escritor, que durante a tarde e a noite vai recolhendo lembranças da sua memória tentando averiguar a causa.

O autor descreve aos Palma Bravo, família de fidalgos sempre unida à história de Gafeira, da que Tomás Manuel é o último herdeiro. Engenheiro, endinheirado, condutor dum Jaguar, parece que o tem tudo… exceto filhos no seu matrimónio com Maria das Mercês. Na procura da origem da tragédia, o autor retrata à mulher sem filhos e isolada; ao marido infiel que vai frequentemente a Lisboa a se divertir; ao criado maneta e mestiço que recebe a atenção do marido como se fosse mesmo um filho. Descreve-se também a lagoa, território ambicionado pelos caçadores, governada desde antigo pela família Palma Bravo.

O autor emprega uma narrativa fluida, que alterna indistintamente o presente e os distintos passados, misturando as lembranças com as reflexões, e mesmo com cenas da sua imaginação. Mesmo narra una cena no capítulo XXVI-a e depois narra-a outra vez de maneira diferente no XXVI-b, e uma das duas intencionalmente falsificada para referir o fumo de enguias descrito nos capítulos XXIII e XXIV… que descrevem acontecimentos mais recentes, não mais antigos. Para além disso, escreve sobre a sua maneira de escrever, chegando a uma borda que é difícil julgar se é do pedantismo ou da genialidade. Como exemplo, cá vai uma citação do capítulo VII: Por isso, se pretender juntar aos meus apontamentos a menor ideia, a menor palavra, serei, como o abade da Monografia, narrador de tempos mortos. Falarei obrigatoriamente de ruínas, misturarei ditos e provérbios, pondo-os na boca do filho quando pertenciam ao pai ou ao tetravó, numa baralhada de espectros em rebelião. E se, para completar, invento uma legenda do tipo Ad Usum Delphini, pior. Mais me aproximo da toada dos doutores de água benta, à cabeça dos quais se coloca o sempre respeitado Dom Agostinho Saraiva, meu precursor nas memórias da Gafeira. Miserere mei.

A história tem também a sua dose de mensagem política própria da época do final do Estado Novo. Numa época na que persegue-se todo o que parece subversão, joga-se a mostrar que subversão pode ser qualquer coisa. Mas sobretudo, quando a lagoa escapa ao governo secular dos Palma Bravo, é um símbolo potente da perda dos privilégios da aristocracia.

Resumindo, O delfim é principalmente um preciso retrato da sociedade portuguesa na época do final do Estado Novo, uma sociedade num momento de transição.

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Tudo sobre as portagens em Portugal

Quais as cinco formas de pagamento das portagens em Portugal?  Quais as quatro disponíveis para veículos de matrícula portuguesa?  Quais as quatro disponíveis para veículos de matrícula não portuguesa?  Quais as quatro disponíveis para as portagens eletrónicas?  Quais as autoestradas que são antigas SCUT e agora têm portagem eletrónica?  E só ver esta reportagem com licença Creative Commons de Atribuição.

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Como chegar ao aeroporto Francisco Sá Carneiro sem pagar portagem

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Agora não vou

Tudo começou quando o professor Miguel Cupeiro pediu-nos aos alunos fazer uma tarefa: escrever uma letra alternativa para a canção de Deolinda Que parva que sou. Foi assim que apareceu uma letra de protesto contra das novas portagens portuguesas, que os estrangeiros apenas podemos pagar por pre-pago. Com ajuda duma guitarra a interpretar a música de Pedro da Silva Martins, a letra converteu-se em canção; e com ajuda de imagens, a canção converteu-se em videoclipe.

Composição: Pedro da Silva Martins
Letra e interpretação: Mari-Al-inda
Câmara e edição: Ignacio Agulló

Sou da geração que ia a Portugal
levava “pesetas”, trazia enxoval
Agora eu não vou…
Porque há que pagar para poder cruzar
estradas e ruas ao ir e voltar
Agora eu não vou…
E fico a pensar,
que terra estranha que para atravessar
é preciso pagar

Sou da geração que ia a Portugal
às praias do Algarve, bronzeado total
Agora eu não vou…
Com os filhos, maridos, avós, até o cão
guiava o meu carro, até ver o mar
Agora eu não vou…
E fico a pensar,
que terra estranha que para atravessar
é preciso pagar

Sou da geração que gostava de comprar
na feira o domingo, às dez da manhã
Agora eu não vou…
Calças, toalhas, paninhos, lençóis,
franguinhos na brasa havia depois
Agora eu não vou…
E fico a pensar,
que terra estranha que para atravessar
é preciso pagar

Sou da geração de copinho na mão
do Porto ou verde em qualquer ocasião
Agora eu não vou…
Sou da geração que volta a Portugal
porque em Espanha está tudo tão mal…
Agora sim vou!!!
E fico a pensar,
que terra estranha que para atravessar
é preciso pagar

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